Psicologia

Uma gota do verdadeiro amor justifica uma existência humana

Na sociedade que vivemos, muito ouvimos falar sobre o amor. Alguns, até mesmo, afirmam que à primeira vista é possível amar. Mas o que, realmente, viria a ser o amor?

As relações  entre os seres humanos podem ocorrer a partir de três níveis. O primeiro deles é o mais superficial e se concentra na atração mútua entre os pares. As pessoas se aproximam, então, movidas pelo desejo. É a famosa “história de verão” que dura uma temporada, contudo não cria laços profundos.

A relação, ao avançar mais um pouco, poderá chegar ao nível da afinidade de interesses. Nesse estágio, as pessoas criam laços entre si pelas similaridades de gostos. O maior problema é que todos nós mudamos com o passar do tempo, assim como as nossas opiniões sobre as coisas. O que, hoje, parece ser surpreendentemente agradável e positivo, poderá, no futuro, perder esse valor. Portanto, relacionamentos que se baseiam, única e exclusivamente, nos interesses em comum, poderão entrar em discordâncias, gerando conflitos e o afastamento entre as partes envolvidas.

O terceiro nível contempla o amor genuíno. O verdadeiro amor não busca o outro para preencher aquilo que lhe falta, isso porque não espera outra coisa além do bem do ser amado. O amor é tão vasto que não conhece limites. Aquele que ama, verdadeiramente, outro ser, torna-se capaz de amar a humanidade inteira. Quanto mais o homem eleva a sua capacidade de amar, mais facilmente cria vínculos com as pessoas que estão ao seu redor e se torna mais disposto a dar para elas o seu melhor.

O desafio que o homem se depara, durante toda a sua vida, é o de se reconhecer como, verdadeiramente, é: um ser repleto de amor e compaixão. Para tanto, deverá lapidar todas as arestas do seu ser e escolher dentre todas as coisas que ele não é, as partes de si que, de fato, correspondem à sua real condição. Cícero nos lembra que:

“Se amas e te tornas mais generoso, mais altruísta e mais atento aos problemas humanos, realmente amas. Se amas e te tornas mais egoísta, mais isolado e voltado apenas a teus interesses, não amas. Nem ama ninguém que assim o faça.”

Sendo assim, todas as ações que levam o homem a um caminho nobre, reto e justo, por certo, estão firmemente enraizadas no amor divino que habita o seu coração. Não nos esqueçamos que amar significa ser, cada vez mais, humano. Concluímos que, em torno daquilo que é material e efêmero, o ser humano se divide e se fragiliza, entretanto, ao se recolher em um sentimento íntimo de unidade consigo e com o Universo, lança-se para alcançar aquilo que há de mais elevado em si – representado pelos valores e as virtudes formadoras do seu caráter.


Saulo de Oliva

Médico, psicólogo, educador. Especializado em Psiquiatria e Psicologia Analítica.

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *