Brasileira integra equipe da OMS que pesquisa vacina contra a Covid-19

Cristiana Toscano, professora do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás (UFG), entrou para o time de cientistas que, junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), busca resultados para uma vacina contra a Covid-19. Ela é a única brasileira e representante da América Latina na equipe formada especialistas do mundo todo.

O Strategic Advisory Group of Experts for Vaccines and Vaccination (SAGE) é um grupo que visa orientar políticas e estratégias de vacinação relacionados ao vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19. O SAGE é responsável por avaliar pesquisas sobre o assunto e, se preciso, sugerir estudos adicionais para ajudar no desenvolvimento do imunizante. “É uma honra muito grande representar o nosso país nesse movimento tão importante. Orientar novos métodos baseados em evidências é essencial neste momento para evitar a propagação do vírus”, conta Toscano a GALILEU.

A médica e infectologista atua na área de imunização há 20 anos. Ela é graduada em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e tem mestrado em “Doenças Infecciosas e Parasitárias” pela mesma instituição. Enquanto ainda era mestranda, atuou como voluntária na promoção de saúde em comunidades ribeirinhas e se apaixonou pela área da saúde pública.

Durante a residência em Infectologia, Toscano decidiu aprofundar seus conhecimentos na área de vacinas. Desde então, fez doutorado em Epidemiologia e pós-doutorado em Avaliação de Tecnologias em Saúde, ambos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A cientista também tem título de especialização pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, e atua num grupo de estudos sobre doenças evitáveis por vacinas na Organização Pan-americana de Saúde. No Brasil, ela representa o estado de Goiás na Sociedade Brasileira de Imunizações.

A busca pela vacina
Sobre a expectativa de uma vacina contra a Covid-19, a professora da UFG explica que há muitos pesquisadores trabalhando para encontrar uma fórmula o mais rápido possível. Atualmente, são 121 estudos pré-clínicos e 10 exemplares em estudos clínicos, em que os testes são feitos em humanos. “São vacinas com tecnologias diferentes, pode ser que qualquer uma delas seja aprovada. No entanto, o papel do SAGE é garantir a segurança da população em primeiro lugar”, explica.

Esse processo não é simples. Após a pesquisa, a primeira etapa para verificar a eficácia de uma vacina é o teste em indivíduos adultos e saudáveis a fim de avaliar a segurança e a produção de anticorpos. A segunda fase, que abrange um número maior de pessoas, visa analisar a relação entre a dose e a resposta imunológica. Num terceiro momento, que já envolve um grande grupo de indivíduos, a vacina é testada em situações de exposição ao vírus. Somente após todas essas avaliações — que podem levar anos —, o imunizante é registrado e está pronto para produção e distribuição.

Segundo Toscano, instituições internacionais públicas, privadas e filantrópicas estão se unindo à OMS para garantir que, no caso de uma vacina contra o novo coronavírus ser descoberta, ela seja distribuída de forma igualitária entre os países. “Precisamos promover o acesso equitativo em todos os lugares afetados”, afirma.

Para a médica, momentos como esse deixam claro a importância da ciência e do investimento em pesquisas. “Mas mesmo com decisões políticas e cortes de verbas que nos afetam diretamente, tentamos fazer nosso trabalho da melhor maneira possível”, conclui.

Cristiana Toscano entra para equipe de pesquisa da OMS que busca melhores resultados para a vacina contra a Covid-19 (Foto: Divulgação)

 

Fonte: Revista Galileu

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