Os tesouros escondidos em nosso cotidiano

Eu moro ao lado de uma construtora. Todos os dias eu aprendo muito com as pessoas que trabalham ali, ainda que elas não saibam disso. Do quarto andar, eu fico observando a maneira com a qual fazem suas tarefas diárias. Outro dia aprendi muito sobre confiança e coragem, com um rapaz que nitidamente estava operando uma grande máquina pela primeira vez. Depois aprendi sobre habilidade e prática com quem tinha a leveza de alguém que já trabalha com essas ferramentas há muito.

 

Hoje, bebendo meu café matinal, aprendia sobre foco, paciência e calma, com um senhor que pintava uma grande plataforma de metal com concentração e tranquilidade, ainda que tivesse muito trabalho pela frente. Talvez um leitor precipitado a essa altura me julgue demasiado ingênua, porque não posso ter acesso ao real estado de espírito dessas pessoas, consequentemente estou constatando esses elementos apenas com base nas aparências de suas expressões, mas isso não me preocupava, porque não é o ponto mais importante. Nem sempre é a coisa em si que mais importa, às vezes o que importa mesmo é a nossa capacidade de extrair tesouros das coisas simples, de buscarmos compreender algo mais profundo, ainda que diante da superfície.

 

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Sobre o autor

Isadora Tabordes

Isadora Tabordes

Cofundadora e desenvolvedora dos sites Vida em Equilíbrio e Demasiado Humano. Graduada em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente é mestranda em Filosofia Moral e Política pela mesma universidade. 

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto, do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é...
E se soubessem quem é, o que saberiam? Fernando Pessoa