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CONCEPÇÃO DE AMOR DA IDADE MÉDIA A CONTEMPORANEIDADE

O amor na literatura tivera suas várias concepções decorrente de vários períodos, desde a idade média a contemporaneidade. Sobre o amor, os indivíduos se deparam com esse sentimento/metáfora/ idealização em todos os tempos, em cada momento histórico houve certa compreensão e idealização do amor, tornando- o assim subjetivo pela sua natureza. A grande influência inicial do amor vem da escola clássica greco-romana, com os deuses Vênus e Marte representando a experiência da paixão com características avassaladoras, onde Vênus era a deusa do amor e da beleza na cultura romana, sendo  equivalente a Afrodite na mitologia grega.

TROVADORISMO

No trovadorismo (Sec. XII-XV), As cantigas de amor nessa época tinham como núcleo principal em suas composições, a idealização da mulher e a coita (sofrer, mártir) de amor, onde os trovadores reverenciava a mulher como uma deusa tendo influência da grande deusa celta em meio ao culto à virgem Maria. O trovador acentua-se sua paixão por uma mulher inatingível lançando-se aos pés da tão perfeita dama idealizada. A figura feminina é colocada em um pedestal e que e permanecia majoritariamente na poesia trovadoresca. Na poesia palaciana, crê-se ao desafio do trovador em se qualificar um melhor  diante de sua amada, tendo como medida para esse amor a coita, sendo assim, o melhor amador seria aquele que sofria, ora calado interiorizando sua dor, ora também aquele que proclama sua dor, lamentando-se da incorrespondência feminina.

No Classicismo (Sec. XVI), o amor é apresentado como um sentimento avassalador e extravagante nos poemas do poeta lírico português Luiz de Vaz de Camões.

 

“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.”

 

ROMANTISMO

No Romantismo (Sec.XIX), ao amor é o elemento principal das composições poética da época, este é caracterizado por ser avassalador, caminho para a felicidade e a realização pessoal e social e ao mesmo tempo podia levara loucura ate á morte, como saída para esse sofrimento, fazendo analogia a coita trovadoresca, nesse movimento literário o núcleo é a paixão , que e caracteriza pelo sonho, pela angelitude feminina, pela idealização, obsessão no outro, o amor-paixão alimentado pela dificuldade e idealização, sendo a paixão o móvel onde os personagens moldam seus comportamentos.

 

REALISMO/NATURALISMO

No realismo/Naturalismo (Meados do Sec. XIX), os poetas dessa época já apresenta uma antítese do idealismo romântico, crê-se em um racionalismo, levando em conta o equilíbrio entre razão e emoção. O amor romântico passa  ser visto como uma doença, destruidora da alma, rejeitando o sentimentalismo exagerado que era vigente no movimento anterior, autores como Eça  de Queiroz começa a atestar que a característica da mulher sensual, sentimental, frágil, idealizada não é mais compatível ao homem de sua época, concluindo que este homem precisava mais de uma companheira do que um deusa. O amor-paixão transforma-se em ameaça ao equilíbrio vital da sociedade, no entanto o amor-paixão não deixa de existir, ele ao pouco vai perdendo seu vigor.

MODERNISMO

Na modernidade (Sec.XX), o que se acentua nesse momento literário é a crise do sujeito, se confundindo nos complexos do progresso nacional, tecnológico, da sexualidade, da aparência e personalidade e dificuldade em compreender os labirintos que envolvem a relação amorosa. O indivíduo não consegue estabelecer relações verdadeiramente duradouras e sinceras, porque lhe falta o entendimento com o próprio eu, vive constantemente negociando entre o bem e o ml, agonia e a luta contra tudo e contra todo que posam interferir na sua clareza de sua definição humana, sendo ao mesmo tempo um homem insubmisso, rebelde e solitário, José Saramago um dos autores mais conceituais da época define a humanidade dessa época como cega a valores essenciais que caminha para o caos, onde o homem contemporâneo vive as constantes mudanças de seu tempo, é um homem em crise, constantemente questionando seus valores e sua existência. O amor contemporâneo com sua característica de lucidez, denota a impossibilidade da realização romântica, do encontro do outro que suprirá suas ausências internas, o amor é consolidado pela amizade, pelo respeito à própria individualidade e a do outro, é um amor apaixonado, porém, racional, iniciando pela sua auto estima e depois se estende ao outro, se iniciando pelo auto conhecimento, se associando a compaixão (compreensão do eu e do outro)., há uma busca de um amor mais amadurecido, há uma cultura de fazer da paixão um caminho racional para um viver melhor, sendo essa paixão marcada pelo equilíbrio entre a individualidade e quanto ao relacionamento com determinada peoa, coloca-se  o eu como sua prioridade e este “eu” ele é cuidado como um resgate do humano, sendo esse cuidado uma atitude de amor.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

MICHELLI, Regina, CAMINHOS DA PAIXÃO E DO AMOR NA LITERATURA PORTUGUESA, UERJ e UNISUAM,2004, Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/soletras/article/view/4493. Aceso em: 07 de dezembro de 2020

 

 

 

 

 

 


João de Jesus

João de Jesus

Graduando em Letras Licenciatura e suas respectivas Literaturas Amante das artes; Literatura, Música e Cinema. Uma boa conversa com um cafezinho, está perfeito ! "A força da evolução é infinitamente maior que os obstáculos que impendem o caminho." Efeito Sombra

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