Vivenciando os espelhos do eu…

Pelo fato de vivermos em sociedade, temos o privilégio de conviver com pessoas de todos os gêneros. E não nos referimos a raças, credos religiosos e classe social. Falamos acerca da forma de pensar. Alias, o pensamento humano é alvo de estudo e reflexão desde os tempos mais primitivos.

É difícil de entender.

Politicamente, muitos criticam quem está na situação e quando tem a oportunidade de assumir, fazendo as mesmas atitudes as quais inflavam os pulmões para bradar que estava errado. E muitas vezes fazem até pior. E não só em cargos públicos. Em entidades isso acontece muito também.

Religiosamente, pessoas criticam outras religiões, alegando que a preconceito e perseguem e xingam da mesma forma, ignorando completamente a livre expressão de culto a que todo o brasileiro tem direito.

Todo mundo reivindica a exclusividade da verdade para si.

Existem certos tipos de pessoas que sonham em brilhar, serem homenageadas, ter o seu trabalho reconhecido. Buscam serem respeitadas.

E quando vêem os outros alcançar o brilho, vemos as pessoas criticarem, dizendo que alguma coisa está errada.

A inveja dói. O brilho alheio cega quem está acostumado a viver em trevas.

O fato é que todos nós temos nossos defeitos e virtudes. Pontos fracos e fortes. E “N” facetas em nossa personalidade.

Quem os outros pensam que eu sou?

Quem eu penso que eu sou?

Quem eu sou de fato?

Somos um pouco de cada um e ao mesmo tempo nada disso.

Difícil de entender? Pois é, isso é o comportamento humano.

Existe um filme chamado “O Advogado do Diabo”. Quando foi lançado foi um grande sucesso de crítica e bilheteria. Na última cena, o Diabo, que no filme é interpretado por Al Pacino, diz uma frase que marca: “A vaidade, meu pecado favorito”.

Isso é uma realidade, com certeza absoluta. Por vaidade, nada mais do que isso, o ser humano magoa, manipula, mente, engana, trai, destrói. E é capaz de qualquer coisa para estar em destaque. É falso, manipulador e ardiloso. É capaz de sorrir em fotos ao lado do maior inimigo simplesmente para se beneficiar. Também é capaz de pisotear quem ama.

Dizem por aí que para quem está se afogando, crocodilo é tronco. E quando uma pessoa está desaparecendo ou cai na real e vê o tamanho de sua insignificância, ela se revolta e tenta derrubar quem está por perto ou quem está brilhando. Porque no chão, a vítima estará no mesmo nível.

Por causa da ignorância e estupidez humana já vimos o mundo passar pelas maiores barbáries. Guerras são realizadas. Pessoas em nome de Deus ceifam vidas e vidas. Em nome de si mesmos, os humanóides aniquilam tudo aquilo que poderá um dia ser útil e grandioso, simplesmente porque a idéia não foi deles.

Vamos imaginar uma situação. Digamos que um cidadão comprou um smoking novo, de cor branca, bem daqueles que se usa em festas de réveillon. Ele passa perto de uma criança levada e o menino lhe joga, bem no meio das costas um pouco de graxa.

Quantidade pequena, mas sendo possível notar o contraste da mancha negra com a alvura do novo traje. O cara olha e não enxerga. Sente que há algo errado, mas como ninguém lhe disse nada, ele faz de conta que não tem e segue. É assim que somos. Vamos olhar para nós mesmos e remover a nossa mancha negra e parar de comentar com o cara do lado que o individuo que esta ali passando esta com uma mancha nas costas.

Vamos nos unir, dar as mãos uns ao outros ao invés de ficarmos apontando defeitos e nos sentindo uma ilha de sapiência em um mar de ignorância.

Defeitos todos nós temos. Assim como qualidades.

Portanto, para viver em uma sociedade organizada, devemos, acima de tudo, desenvolver a sabedoria da convivência. Vamos deixar o egocentrismo de lado, pois a ciência já provou que o homem está bem distante de ser o centro do Universo.

Não podemos evoluir só tecnologicamente. Vamos crescer também na forma de pensar! Desde que o homem tem consciência de si ele está tentando se destruir. Pode ser que um dia ele consiga.

E o que fica depois?


Diego Franzen

Jornalista e Escritor, nascido na cidade de Cruz Alta RS e residindo em Bento Gonçalves RS. É autor dos livros "Tempora Hostem", um romance policial e esotérico ambientado na Serra Gaúcha e de "Lendas Urbanas de Cruz Alta", uma coletânea de fatos pitorescos ocorridos em sua cidade natal. Atualmente trabalha no romance "A Pedra Oculta", que é ambientado no Rio Grande do Sul no período da Revolução Federalista.

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